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05/01/2009
Autor
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Estava eu a passear pela Livraria Cultura, quando me deparei com o livro Antologia Poética, de Vinícius de Moraes. Ora, como fã deste poeta, saquei o livro da estante, e sentei-me na primeira poltrona vaga que encontrei. Estava totalmente entretido com a leitura quando ouvi alguém dizer: É amigo, a vida é pra valer. Em um misto de reflexo e curiosidade, levantei meus olhos em direção de onde tinha partido o comentário. Para minha enorme surpresa, Vinícius de Moraes estava bem ao meu lado! ...
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05/01/2009
Autor
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se aquele livro é dele ou da livraria cultura? não sei. se tudo aquilo é dele? não sei. talvez ele pertença a si mesmo mas isso já não é culpa minha porque eu tenho mania de me culpar e é disso que eu tenho que me proteger porque a linguagem do meu desejo é o negativo porque a voz do meu desejo é o abismo
porque a lembrança do meu desejo é o eco e é dessa voz reflexiva que eu tenho que me defender
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05/01/2009
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Todos os dias eu ia lá na Livraria Cultura. Procurá-lo. Aquele livro, suas páginas amassadas, a capa torta, a marca de um beijo vermelho na página 301, a impressão digital do crime na página 2, o pêlo pubiano, a marca de gordura, o granulado de chocolate cristalizado, era tudo meu. Mas as leis não deixam que façamos usucapião de histórias. Pois bem. Fui procurá-lo. Sempre que eu o pegava, Leon aparecia, de repente, por trás de mim, na cafeteria, enquanto eu bebia capuccinos. Quieto e ágil. O ...
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05/01/2009
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-Perdão, meu amor. Eu estava com um péssimo humor. Eu juro que não queria ser grossa. Não tenho nada contra a Joana.Eu ando meio irritada com o trabalho, depois a chuva, trânsito, etc... Desculpa.
-Está tudo bem, meu amor. Eu não acho que você foi grossa. Você foi você. Fala o que pensa sem elaborar muito. Não tem problema. Eu já estou acostumado.
-Como assim fala o que pensa sem elaborar muito? Eu elaboro bastante. Se eu falasse tudo o que vem na minha cabeça você ia ficar ...
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05/01/2009
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Andava pelos salões como uma imperatriz; seu olhar de paradoxo refletia malícia e candura incessantes; o poder emanava de seu corpo e o brilho de sua aura não podia ser por nada ofuscado. Nunca se vira alguém com sua força e presença marcantes. Quando passava, todos se voltavam para admirá-la. Muitos até se atreviam a tocá-la para que, talvez, fossem contagiados por tamanha sorte e glória.
“O Sol não brilha para todos” – diziam. “Sempre há alguém que atrai todas as bênçãos para si, ...
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05/01/2009
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A quem não sabe digo quão é importante confidenciar lembranças, a mim oferece as serventias de ora me vangloriar de minha vida simples, ora exercitar o cérebro atrofiado, e vejam que surpresas as lembranças contadas proporcionaram a meu eu decrépito e mitológico. Quando lhes contei sobre Gilbert e Cibele, o fato de ter mencionado um lugar comum, fez me lembrar vagamente de Clara, uma garota que vaga ávida e bela nas memórias dos dias de sexta-feira em que passava horas - ainda perto da Livraria ...
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